Na boca do rio tem uma casa...
E se aquela casa falasse, o que ela diria? Quantas histórias passaram por aquela porta, quanta dor aquele chão sustentou? O que viram aquelas paredes que foram pintadas com a cor da loucura? Gosto de lembrar que, ironicamente, eu não sabia o caminho que me levaria até lá, mas que o encontrei. Eu poderia dizer que foi a facilidade da tecnologia que me permite viajar pela cidade de um modo confortável, mas o GPS do uber não foi a minha única bússola. Meus olhos não contemplariam o presente se eu não tivesse decidido mantê-los bem abertos. Eu escolhi o caminho da ressignificação. A estrada permanece esburacada, o ar permanece fétido, pois a humanidade é a mesma e ela cheira a esgoto, mas eu ainda estou aqui.
E se aquela casa falasse, o que ela diria? Quantas histórias passaram por aquela porta, quanta dor aquele chão sustentou? O que viram aquelas paredes que foram pintadas com a cor da loucura? Gosto de lembrar que, ironicamente, eu não sabia o caminho que me levaria até lá, mas que o encontrei. Eu poderia dizer que foi a facilidade da tecnologia que me permite viajar pela cidade de um modo confortável, mas o GPS do uber não foi a minha única bússola. Meus olhos não contemplariam o presente se eu não tivesse decidido mantê-los bem abertos. Eu escolhi o caminho da ressignificação. A estrada permanece esburacada, o ar permanece fétido, pois a humanidade é a mesma e ela cheira a esgoto, mas eu ainda estou aqui.
A casa é enorme, chegamos mais cedo do que o planejado. Eu quase não fui, mas dessa vez não foi por motivos fatais, mas pelas intercorrências da vida, essas coisas doidas que nos afetam sem avisar, nos mostrando que não adianta a gente achar que está no controle. A enfermidade aparece para nos roubar todas as certezas. Tive uma noite difícil. Meu coração, aquele que pulsa fora do meu corpo, adoeceu, e a minha alma quase adoeceu junto. Consegui sustentar, pois a melhor maneira de sair de uma tempestade é passando por ela. E eu passei. Ainda estou encharcada, acabei pegando um resfriado, mas olhem pra mim, eu estou de pé. O que é uma gripe afinal? A existência é a febre que mais queima.
Haviam quadros por todos os lados. Pinturas que revelam e deixam o inconsciente a céu aberto. As mãos que os pintaram deram cor ao sentir. Muitos tons, rostos, flores, figuras incompreensíveis, como aqueles sonhos estranhos que temos quando dormimos, e que ao despertar, não conseguimos decifrar. Um emaranhado de símbolos, códigos secretos de um Eu que grita e se liberta através do pincel.
O tambor ressoa. Música. Um dos instrumentos terapêuticos mais eficazes que o mundo conhece. Barulho é o que a nossa mente faz quando quer silêncio e não encontra, barulho é o que a gente produz quando não conseguimos dar sentido ao que sai da nossa boca. Aquilo era música. Uma saída. Um escape. Aquilo era arte. É arte.
Um deles veio me cumprimentar, segurou e beijou minha mão delicadamente enquanto me falava coisas em um idioma que eu não conheço porque não é o meu. A loucura tem sua própria linguagem, mas cada louco tem o seu próprio jeito de se expressar, seja verbalmente, fisicamente, em todos os sentidos o louco é singular. A língua dele é dele, a minha é só minha, a gente até compartilha, mas somos detentores do nosso próprio dicionário particular.
"Alguns deles não tem ninguém no mundo." Será que eles tem consciência dessa solidão? Isso me faz pensar que se isso for um fator de sofrimento, tá explicado a nossa escolha pela ilusão de que temos laços que nos amarram e não nos deixam soltos, quando na verdade, estamos todos nus e sós.
Quanta lucidez a gente é capaz de suportar sem querer pular da ponte? Um boleto para vencer e muitos já se afogam em um copo de cachaça barata. Qual o mistério dos que seguem em frente, mesmo sabendo que não há mais chão pra caminhar?
São muitas perguntas. Poucas respostas.