Hoje não é um dia de celebrações vazias ou de flores que escondem o peso do cotidiano. A data de hoje carrega a marca do que ainda não foi resolvido. Ser mulher, em um sistema que tenta nos reduzir ao silêncio ou à utilidade, é um exercício contínuo de resistência, muitas vezes exaustivo e solitário.
As estatísticas de violência que nos cercam não são apenas números; são o sintoma de uma estrutura que se sente ameaçada pela nossa autonomia. Celebrar, nesse contexto, pode parecer um contrassenso, mas a verdadeira potência deste dia reside na recusa: a recusa em aceitar a barbárie como destino e a insistência em construir um sentido próprio para a existência, apesar de tudo.
Que este dia seja um convite à reflexão sobre os seus espaços de liberdade. Que nós mulheres possamos reconhecer a força que reside no ato de não se conformar, de nomear as próprias dores e de sustentar o próprio desejo em um mundo que, tantas vezes, tenta nos dizer quem devemos ser.
A luta não é apenas por sobrevivência, mas pelo direito à integridade e à profundidade de ser quem se é. Seguimos no trabalho de resgatar o que o medo tenta nos roubar.
