A partir desse mês de Setembro, decidi registrar por aqui minhas marcas no mapa: livros que me acompanharam, filmes que me atravessaram, ideias que se insinuaram no silêncio, coisas belas que encontrei pelo caminho. Esta é a cartografia do mês: um registro imperfeito, mas sincero, do que me tocou e merece ser partilhado
🎬 Série
Na Netflix, maratonei Long Story Short. Aquelas histórias que falam sobre o tempo que escapa, sobre as escolhas que se desdobram, e sobre a sensação de que sempre poderíamos ter feito diferente. É leve e dolorido ao mesmo tempo, como quase tudo o que vale a pena ser visto.
Também assisti um curta metragem no YouTube, A Single Life (assista aqui). Ele fala sobre o que faríamos se este fosse o nosso último dia, sobre as oportunidades que deixamos escapar por medo, por orgulho, por autocobrança, por estarmos presos demais ao olhar do outro. É um lembrete duro e delicado ao mesmo tempo: a vida não espera. E talvez o maior desperdício não esteja no que fizemos errado, mas no que deixamos de viver por hesitar.
🎶Música
Tenho escutado repetidamente essa música que é a minha canção favorita desde os tempos da faculdade. É daquelas que me fazem cantarolar e dançar pela casa como se eu fosse personagem de uma comédia romântica dos anos 90, daquelas que passavam na Sessão da Tarde.
“You know it’s been a while since I had a good long smile
Tu sabes que já há algum tempo que não tenho um grande sorriso
and I feel good tonight
Mas eu sinto-me bem esta noite
Everything′s going to be alright
Everything′s going to be alright
and it feels like I might start to live my life”
📖 Livro
Indico também a leitura de Mulher de pouca fé, da autora nacional Simone Campos que, assim como eu, recebeu o diagnóstico de autismo já na fase adulta. Me identifiquei em muitos pontos com sua escrita, e gostei da ideia de saber que existe um livro, escrito por uma mulher autista, brasileira, que esboça em muitos pontos questões culturais e religiosas que também permeiam o meu cotidiano, apesar de sermos de geração e contextos sociais diferentes. Eu também já entrei na “Arca” e me afoguei em um dilúvio espiritual/emocional.
“Questionar demais tendia a me encrencar com autoridades e a me indispor com alguns grupos, mas nunca tive inibição em apontar que o rei estava nu(…)”
Descobri esse livro por indicação da querida Liberphilia, que também é uma mulher no espectro, mulher essa que me inspira muito e que é uma das responsáveis por eu estar aqui escrevendo agora :)
📚 Outros achados
Dois links que também me atravessaram:
“A Literatura na Biblioteca” (PUCRS Online): um curso gratuito e online que enxerga a biblioteca como espaço de criação, pensamento vivo e diálogo constante com a filosofia e a literatura. Um convite silencioso para revisitar livros que nos moldaram.
Prateleira.org: um guia de lançamentos de ficção, focado no que está nascendo agora. Não é só lista: é uma curadoria gentil, uma prateleira virtual construída por pessoas que leem, que desejam que novas vozes sejam ouvidas — de literatura nacional, contemporânea, diversa. É um lugar pra descobrir livros que ainda não são manchete, mas que soam urgente, interessante, necessário. Um lembrete de que sempre há o próximo livro que vai acender alguma coisa dentro de nós.
🦉 Pra sair do modo coruja
Sabe aqueles dias em que a alma pede um colo, um convite silencioso para desacelerar? Pois bem, encontrei um refúgio sonoro que é puro bálsamo para as noites mais agitadas ou para aquelas em que simplesmente queremos nos sentir em casa no melhor sentido da palavra. “Durma com UMA NOITE DE TEMPESTADE”não é apenas um ruído de chuva; é uma narrativa envolvente, de tom gentil e voz mansa de Gabriel Bernardo (Gabis), que nos conduz por um roteiro de conforto.
Ele nos convida a vivenciar, passo a passo, o ritmo lento de um dia cinzento que se encerra. Acompanhamos a volta para o lar, o cheiro de amaciante no pijama novinho, o calor de um bom banho e, o mais importante, a experiência de vestir aquelas meias de lã feitas pela vovó.
Após a pausa para a tempestade, trago-lhes um pequeno achado que serve como um gentil afago em meio à correria. Se o vídeo anterior era o nosso casulo de aconchego, este é o nosso santuário visual, nosso momento de respiro necessário.
Gostaria de lhes apresentar o canal anime dream. Ele funciona como um guia sutil para a alma, oferecendo cantinhos de paz e beleza em formato de vídeos curtos. Com uma estética que remete ao suave e onírico estilo Ghibli, o vídeo é uma ode à pausa e ao autocuidado. É como se a rotina se transformasse em uma poesia silenciosa.
Vou ficando por aqui, registrando o que setembro me trouxe de valioso. E que a energia de outubro nos encontre alertas, com a devida atenção aos detalhes, celebrando as pequenas descobertas e prontos para abraçar as grandes chances que ainda nos esperam. Até breve.
